Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Meus momentos - Extraidos das poesias de Gabriel Garcia Marquez








Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

A sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada.

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)

Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapos e me presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que pudesse...
Possivelmente não diria tudo o que penso, mas definitivamente pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não por aquilo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais se detivessem, acordaria quando os demais dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol, deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
Aos homens, eu provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de se enamorar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se enamorar...
A um menino eu daria-lhe asas, apenas lhe pediria que aprendesse a voar.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com Vós homens…. Aprendi que todo o mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro de cima para baixo, quando está a ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa, infelizmente estarei morrendo.
Sempre diz o que sentes e faz o que pensas.
Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, te abraçaria fortemente e rezaria ao Senhor para poder ser o guardião da tua alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, diria-te “Amo-te” e não assumiria, loucamente, que já o sabes.
Sempre existe um amanhã em que a vida nos dá outra oportunidade para fazermos as coisas bem, mas pensando que hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer-te o quanto te quero, que nunca te esquecerei.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos.
Hoje pode ser a última vez que vejas aqueles que amas. Por isso, não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado muito ocupado para atenderes esse último desejo.
Mantém os que amas junto de ti, diz-lhes ao ouvido o muito que precisas deles, o quanto lhes queres e trata-os bem, aproveita para lhes dizer, “perdoa-me”, “por favor”, “obrigado” e todas as palavras de amor que conheces.
Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a sabedoria para os expressar.
Demonstra aos teus amigos e seres queridos o quanto são importantes para ti.

Gabriel Garcia Marquez

Aprendi muito com tudo isso!


Sexta-feira, 27 de Março de 2009

A nova cara da Lei Rouanet

Por João Paulo Mesquita Rolim.

Pois é depois de mais de uma década com a Lei Rouanet em operação passamos por mais uma transformação, maquiagem ou realmente uma mudança.

Me pergunto, depois de analisar e ainda não posso responder com clareza as mudanças na Lei Rouanet pelo atual Ministro Juca Ferreira - PDF das mudanças: http://blogs.cultura.gov.br/blogdarouanet/files/2009/03/novaleidefomentoacultura.pdf -, eles deram algumas pinceladas daqui e dali, quase sempre este tipo de mudança é para uma melhor, assim espero. Acho que nenhuma Lei pode substituir outra para prejudicar a anterior e sim beneficiar. Minha opinião. Espero que isso esteja sendo levado em consideração e colocado em prática, são tantos substantivos que não sei bem como descrever essa mudança, posso dizer o que conheço e vivi no MinC.

Quando trabalhava no Ministério da Cultura com o Ministro Francisco Corrêa Weffort e a Valeria Zorgno Vorländer - Delegada no Estado de São Paulo - a Lei tinha uma linha e tínhamos um ótimo projeto "Incentivo ao Incentivo", tratava-se de um programa de cursos de Incentivo ao Produtor Cultural, Diretores, Atores independentes, Captadores de Recursos e Empresas, tudo para facilitar o entendimento do funcionamento da Lei nº. 8313/97 - Lei Rouanet -, o curso vivia lotado, sempre com a presença de todos os interessados, parece um absurdo, mas ninguém faltava...

Cabe ao Ministério da Cultura criar instrumentos e mecanismos que possibilitem o apoio à criação cultural e artística, o acesso aos bens culturais e a distribuição destes bens, bem como a proteção, a preservação e a difusão do patrimônio cultural brasileiro. A Lei Rouanet institui o apoio governamental aos projetos culturais através do PRONAC - Programa Nacional de Apoio à Cultura -, e nos termos do PRONAC, os projetos devem desenvolver formas de expressão, modos de criar e fazer cultura, os processos de preservação e proteção do patrimônio cultural brasileiro e estudos e métodos de interpretação da realidade cultural, contribuir para a difusão da cultura brasileira, fazendo com que todos possam se beneficiar de todas as formas de conhecimento e expressão cultural. É isso meu entender do PRONAC. Ele funciona com três mecanismos: o FNC - Fundo Nacional de Cultura -, o Mecenato que considero uma palavra mal usada nestes termos e o FICART - Fundo de Investimentos Culturais e Artísticos, que até onde sei, ainda, não foi implementado. O Mecenato estabelece uma parceiria entre Produtor Cultural, Pessoas Jurídicas ou Pessoas Físicas e o Ministério da Cultura, para que o projeto cultural possa ser viabilizado com verba de renuncia fiscal - Imposto de Renda em Lucro Real. Esta verba vêm dos cofres públicos, para ser investida em cultura. Para finalizar este artigo trago uma frase do Weffort que tenho guardada até hoje:

"As leis de incentivo à cultura têm como objetivo regular as relações entre as várias partes envolvidas no processo de produção e de consumo de bens culturais,
Seu sucesso depende, no entanto, da continuidade e do rigor em sua aplicação e de uma ampla divulgação. Elaborar leis adequadas é apenas um primeiro passo. É preciso também criar as condições para que os interessados possam recorrer a elas". Francisco Weffort - Quando Ministro da Cultura em outubro de 2002.

João Paulo Mesquita Rolim
Coordenador de Responsabilidade Socioambiental e Cultural

Quadro Berimbaus de Francisco Panachão

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Delicatessen (1991)

Não existe um filme como esse, Delicatessen (1991) é o filme mais surrealista que já vi, havia tempos que não o via, mas esta noite tive o prazer de revê-lo. O filme é antropofagia pura que serve de estudo para a antropologia social.

É comédia de humor negro que fala sobre um futuro onde a comida é tão rara que acaba sendo usada como moeda de troca, e onde as pessoas comem umas às outras, em virtude da escassez de alimentos.

Recém-chegado na cidade, um jovem palhaço consegue um emprego num açougue e acaba se apaixonando pela filha do chefe. Porém, os planos de seu patrão para ele podem botar tudo a perder.

Antropofagia é o ato de consumir uma parte, várias partes ou a totalidade de um ser humano. O sentido etimológico original da palavra "antropófago" (do grego anthropos, "homem" e phagein, "comer") foi sendo substituído pelo uso comum, que designa o caso particular de canibalismo na espécie humana.

A diferença entre antropofagia e canibalismo é que o canibal come porque necessita, porque está com fome. Já na antropofagia o homem come porque acredita que os poderes da "pessoa alimento" vai passar para ela.

No filme Delicatessen o ato de comer carne humana é uma necessidade real de sobrevivência.

Elenco:

Dominique Pinon, Howard Vernon, Chick Ortega, Pascal Benezech, Marie-Laure Dougnac, Jean-Claude Dreyfus, Karin Viard, Anne-Marie Pisani, Silvie Laguna, Jean-François Perrier, Dominique Zardy, Marc Caro

João Paulo Mesquita Rolim

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Moça com brinco de pérola (1665-1666)

Moça com brinco de pérola (1665-1666)

De Johannes Vermeer, também conhecido como Vermeer de Delft ou Johannes van der Meer.

É uma das obras de arte mais belas que o mundo já viu.

Johannes Vermeer é considerado o segundo pintor mais importante da Holanda, ficando atrás apenas de Rembrandt. Durante sua existência, entre os anos 1632 e 1675, Vermeer viveu em Delft, foi comerciante de arte e pintou diversos quadros, entre eles Moça com Brinco de Pérola, classificado por alguns como a “Mona Lisa holandesa”. A exemplo da pintura italiana, muito se especula sobre a modelo que posou para o pintor, embora não existam registros sobre a origem da mesma.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

O Surrealismo antes do Surrealismo. Parte II

Atalho para a primeira parte: http://ethosdaimon.blogspot.com/2008/07/o-surrealismo-antes-do-surrealismo.html


Zurique 1916. Daqui, emerge um sopro de irreverência e modernidade. Em uma Europa ainda imersa nas misérias da primeira guerra mundial, o poeta romeno Tristan Tzara - perplexo com a violência, o absurdo das vidas perdidas e outras barbaridades causadas pelo conflito - decide reacender a esperança através da arte. E propõe uma atitude radicalmente diferente. Ele e outros companheiros que freqüentam o Cabaré Voltaire - pintores, escultores, músicos, escritores, cantores - trocam idéias e criam um movimento transgressor das regras vigentes que, convenhamos, não estavam mais dando lá muito certo. Nada de velharias, dessa vez, Uma nova expressão, escolhida ao acaso nomeia o movimento que atinge a Europa em cheio e vai, em futuro próximo, cruzar o Atlântico e encantar o fotógrafo Man Ray - O Dadaísmo. Tudo indica que foi mesmo Tristan Tzara que cunhou o termo "dada" ao folhear um dicionário Larousse à procura de palavra sonora que pudesse ser dita em qualquer idioma. Dada - que sacudiu a cena artística entre 1916 e 1924 - em romeno, significa Sim, Sim e em francês, cavalo de pau.


Evoluiu para o Surrealismo, liderado por André Breton (1896-1966), poeta e crítico literário que marcou a "Diáspora" com o Manifesto Surrealista de 1924. O surrealismo, considerado manifestação popular da arte produzida por homossexuais, teve em Breton uma voz crítica demais, talvez para tentar pontuar sua masculinidade. Os dois movimentos - dada e surrealismo - escolheram temas de natureza fluída, mas densa,e realmente dificultam as interpretações de homoerotismo ou homossociabilidade.

Tristan Tzara foi a pedra angular do dadaísmo. Nasceu como Samuel Rosenstock (1896-1963), na Romênia, de família burguesa e privilegiada. O pai fazia prospecção de petróleo. Começou a vida literária aos 16 anos. A partir de 1913, o jovem artista muda o pseudônimo para Tristan Tzara: Tristan, da opera de Wagner e Tzara significa "terra" em romeno. Outra explicação para o pseudônimo é, em tradução livre, "Triste Terra", forma de protestar contra o tratamento dado aos judeus na Romênia. Em 1915, Tristan Tzara viaja para Zurique ao encontro de seu amigo íntimo Marcel Janco e para estudar filosofia. Mas logo se aborrece com as elocubrações e a preguiça estudantil se instala. Numa noitada, conhece Hugo Ball e, juntos, imaginam a criação do Cabaré Voltaire, um "centro de divertimentos artísticos". O sucesso é imediato com declamação de poesias, danças e música africana. O Cabaré é um palco para a renovação da arte: o panorama tradicional é descartado em benefício das transgressões artísticas. Vai nascendo o Dadaísmo e Tzara já aparece como a eminência parda do movimento.

É o triunfo da abstração. O alegre grupo procura "a alquimia mais íntima da palavra e mais além para preservar o domínio mais sagrado da poesia". O alemão Rudolph Huelsenbeck, que conhecera o dadaísmo ainda no nascedouro, declarou que Tzara era "um bárbaro do mais alto nível mental e um gênio sem escrúpulos". Mas seu empreendedorismo se revelou na programação do Cabaré Voltaire, na criação da revista do mesmo nome e na publicação do Manifesto.

Berlim 1918. É chegada a hora de oficializar o movimento que cresce mais do que as noitadas do Cabaré Voltaire poderiam entender. O grupo original está completo: pintura, colagem, fotografia e poesia e, daqui por diante, misturam-se as artes para dar originalidade ao projeto. Poemas se transformam em colagem de palavras, as palavras se fazem sonoras pela pesquisa da musicalidade e a musicalidade atravessa os sentidos. Nos poemas, a alegria do grupo deseja "reencontrar a alquimia mais íntima da palavra e superá-la para preservar a poesia em seu domínio mais sagrado". Julho de 1918 é a data oficial do Manifesto, um texto marcado pela irreverência contida no dadaísmo, verdadeiro "grito de vida, de harmonia e ilusão da juventude". Eis um pequeno extrato:

"Fé absoluta indiscutível em cada deus produto imediato da espontaneidade DADA salta elegante e sem perdas de uma harmonia a outra esfera(…) Liberdade: DADA DADA DADA gritos de dor crispante, entrelaçamento dos contrários, dos grotescos, dos inconseqüentes: A VIDA (…)

O
Manifesto conduz DADA à internacionalização. Picabia se junta ao grupo em Zurique e André Breton os acolhe em Paris.

Em 1920, Dada se torna um produto de exportação. As obras de Marcel Duchamp (autor do famoso urinol ou Fonte, de 1917. nesse exato momento sendo exibido no MAM-SP), da Gioconda L.HO.O.Q e da Roda de Bicicleta "desestabilizam o establishment", com seus ready mades :simplesmente objetos do dia a dia que se tornam obras de arte. A justificativa de Duchamp é que um objeto comum escolhido pelo artista, tendo sido repensado, passa a ter sua função artística. Os Estados Unidos se juntam ao DADA nas pessoas de Man Ray (fotógrafo e cineasta) e Picabia, que pinta Rros Sélavy (Eros, c'est la vie) o alter-ego feminino de Duchamp. Em Paris, Eluard, Breton, Aragon e muitos outros se deixam seduzir por DADA, ainda que com a ajuda do absinto e do ópio para que a escrita se transforme em transe. A França, indignada, se levanta, protesta e condena: Maurice Barrès, (da extrema direita na época) se junta a Charles Maurras, ambos membros da Action Française. O réu é o dadaísmo, acusado de "atentado à segurança do espírito". Compreensível, levando-se em conta as cabeças da idade da pedra.

Abaixo, dois "agravantes" que poderiam se juntar ao processo:

1- Na Feira/ Missa Internacional Dada de 1920 os dadaístas berlinenses estão com total domínio nas colagens, fotomontagens e instalação e exibem nos cartazes ilustrados por um sub-oficial alemão-prussiano com cara de porco as frases: "DADA está ao lado do proletário revolucionário", "Abaixo a moral burguesa", "DADA é política", "Diletantes, revoltem-se contra a arte, abaixo a arte!".

- Na Rússia Maïakovski e Khlebnikov desejam criar novo vocabulário, o Zaoum "poesia transmental, com a linguagem liberada e sem entraves".

Todos os textos referentes ao dadaísmo estão conservados na Bibliothèque Jacques Doucet (amigo de Duchamp e Picabia) na Place du Panthéon 8/10 75005, Paris. Os princípios anárquicos do Dadaismo foram se ajustando e geraram novo surrealismo em 1924, mas o fim do movimento como atividade grupal aconteceu por volta de 1921. As correntes artísticas contemporâneas se adaptam perfeitamente ao espírito DADA.

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Mudanças na Lei Rouanet - Ministro Juca Ferreira

Lei Rouanet sofre mudanças

Portaria publicada na sexta (5) deve desburocratizar apoio à cultura.

Da Redação

Brasília - O ministro da Cultura, Juca Ferreira, publicou nesta sexta-feira, 5, no Diário Oficial da União as primeiras modificações na Lei Rouanet, uma lei federal que incentiva a cultura no Brasil. Seis itens alteram procedimentos de apresentação de projetos para apoio a cultura.

A portaria 54 revoga a atual que dita regras para a entrada de projetos na Lei Rouanet e tem o intuito de permitir uma maior agilidade nos trâmites do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). O ministro disse que as mudanças vão beneficiar todos os produtores e que, quando era secretário executivo do ministério, batia-se todo dia no seu gabinete com queixas relativas à extrema burocratização da legislação.

"As mudanças são para ter efeito imediato na superação de dificuldades que foram criadas para os produtores, mas não são nem de longe o que a gente vai fazer com a lei", disse Ferreira. "Se fosse refeição, isso seria um aperitivo. Estamos limpando a área para a grande mudança, que vai tornar a legislação mais efetiva e sem os vícios atuais."

Novas regras

Pelas mudanças implantadas pela nova portaria, não será mais exigido documento de cessão de direitos autorais em propostas que envolvam a utilização de acervos, obras ou imagens de terceiros (apenas uma carta de anuência de proprietário ou detentor de direitos). Também não será exigido um termo de anuência de todos os artistas envolvidos no projeto, mas apenas as fichas técnicas do espetáculo e curriculum do diretor e dos profissionais envolvidos.

Outra novidade: não serão exigidos termos de anuências dos locais dos eventos propostos (isso só será preciso quando os locais forem espaços públicos). Outro esforço de desburocratização é a extinção da necessidade de tradução oficial juramentada de artistas ou grupos estrangeiros (basta que os documentos sejam traduzidos).

Não será mais necessária a apresentação de três orçamentos para aluguel de espaços onde ocorrerão espetáculos, e não se pedirá mais termo de anuência dos grupos e instituições beneficiados pelo artigo 44 (que determina que 10% dos produtos culturais gerados pelos benefícios da lei sejam distribuídos de graça a pessoas que têm pouco acesso à cultura).

Nesse último caso, bastará a identificação do público a ser beneficiado. Antes, eram necessárias procurações públicas do proponente quando no caso da transferência de poder a terceiros; agora, bastam procurações particulares.

Segundo o ministro, a cessão de direitos autorais demanda tempo e implica em custos. "Então, não faz sentido cobrarmos esse documento (de cessão autoral) no protocolo de projetos, mas somente depois, já durante a sua execução." As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

LEI DE INCENTIVO À CULTURA - GOVERNO FEDERAL - Lei Rouanet


Muitas pessoas me perguntam sobre, resolvi colocar um pequeno resumo do que é a Lei de incentivo à cultura. A Lei 8313 de 23 de dezembro de 1991 -Lei Rouanet, é a lei que instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC, cuja finalidade é captar e canalizar recursos para projetos culturais.
http://www.cultura.gov.br/


Através da lei a empresa que patrocinar um projeto cultural pode abater até 4% (quatro por cento) do IR em lucro real a pagar.


O mecanismo é simples:

1. O produtor fornece uma cópia do projeto para a empresa, juntamente com a cópia do Diário Oficial da União, onde consta o valor aprovado, o nome do projeto, número do Pronac e prazo de captação.

2. O patrocinador deposita o valor do incentivo numa conta corrente especial para o projeto, aberta pelo produtor cultural.

3. O produtor cultural fornece o recibo padrão do MINC (Ministério da Cultura).

Assim, a empresa abate o total do incentivo dado ao projeto e realiza marketing cultural com parte do seu imposto.

Grandes empresas como Petrobrás, Votorantin, Bradesco, O Boticário, HSBC, e outras, utilizam esse mecanismo de aproximação com a sociedade, apoiando projetos culturais.

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Lei Federal de Incentivo à Cultura

Concebida em 1991 para incentivar investimentos culturais, a Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), ou Lei Rouanet, como também é conhecida, poder ser usada por empresas e pessoas físicas que desejam financiar projetos culturais.

Ela institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), que é formado por três mecanismos: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), o Mecenato, e o Fundo de Investimento Cultural e Artístico (Ficart).

O FNC destina recursos a projetos culturais por meio de empréstimos reembolsáveis ou cessão a fundo perdido e o Ficart possibilita a criação de fundos de investimentos culturais e artísticos (mecanismo inativo).

O Mecenato viabiliza benefícios fiscais para investidores que apoiam projetos culturais sob forma de doação ou patrocínio. Empresas e pessoas físicas podem utilizar a isenção em até 100% do valor no Imposto de Renda e investir em projetos culturais. Além da isenção fiscal, elas investem também em sua imagem institucional e em sua marca.

A lei possibilita também a concessão de passagens para apresentação de trabalhos de natureza cultural, a serem realizados no Brasil ou no exterior.


Finalidades do Programa Nacional de Incentivo à Cultura:

  • facilitar à população o acesso às fontes da cultura;
  • estimular a produção e difusão cultural e artística regional;
  • apoiar os criadores e suas obras;
  • proteger as diferentes expressões culturais da sociedade brasileira;
  • proteger os modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;
  • preservar o patrimônio cultural e histórico brasileiro;
  • desenvolver a consciência e o respeito aos valores culturais nacionais e internacionais;
  • estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal;
  • dar prioridade ao produto cultural brasileiro.

Áreas e segmentos que podem se beneficiar

  • teatro, dança, ópera, circo, mímica e congêneres;
  • produção cinematográfica, videográfica, fotográfica, discográfica e congêneres;
  • literatura, inclusive obras de referência;
  • música;
  • artes plásticas, artes gráficas, gravuras, cartazes, filatelia e outras congêneres;
  • folclore e artesanato;
  • patrimônio cultural, inclusive histórico, arquitetônico, arqueológico, bibliotecas, museus,
  • arquivos e demais acervos;
  • humanidades; e
  • rádio e televisão, educativas e culturais, de caráter não-comercial.

Decreto nº 5.761


Regulamenta a Lei n° 8.313, de 23 de dezembro de 1991, que estabelece a sistemática de execução do Programa Nacional de Apoio a Cultura - PRONAC, e dá outras providências.

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João Paulo Mesquita Rolim
http://ethosdaimon.blogspot.com/